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Em Aparecida, Serra sobe em basílica e reforça discurso em defesa da vida

 Publicação: 13/10/2010 09:06
CorreioBraziliense - Eleições 2010
Aparecida do Norte (SP) — Há tempos, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, não via um ambiente tão favorável quanto o que encontrou na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, a 180km de São Paulo. Lá, não ouviu vaias e nem passou constrangimentos. Foi aplaudido, quando citado pelo celebrante, Dom Serafim Fernandes de Araújo, no início da missa em homenagem ao Dia da Padroeira do Brasil.
 
A mulher de Serra, Mônica, de nacionalidade chilena, foi chamada ao altar para receber uma imagem a ser entregue aos mineiros resgatados no Chile. Seu maior aliado em São Paulo, o governador eleito Geraldo Alckmin também foi ao altar proclamar a Primeira Leitura.

“Não é a primeira vez que venho aqui. Vim várias, sempre acompanhado do Geraldo. Para mim, é natural”, disse Serra, que durante todo o tempo tentou marcar as suas diferenças para com a candidata do PT, Dilma Rousseff, que passou por lá no dia anterior e pela primeira vez. Nas duas entrevistas que concedeu — uma coletiva e outra exclusiva à TV Aparecida —, Serra tratou de passar mensagens relativas à defesa da vida e, ao mesmo tempo, jogar sobre o PT denúncias de corrupção.


Até mesmo quando se referiu ao suposto desvio de dinheiro da sua campanha, que foi citado por Dilma no debate do último domingo, ele atacou a adversária. “Isso não existiu. O curioso é que Dilma está preocupada com problemas internos da nossa campanha quando a nossa preocupação é com o destino do dinheiro da Casa Civil, dinheiro público, dinheiro dos contribuintes. Não é dinheiro que algum empresário doou para uma campanha”, instigou o candidato, numa referência implícita ao caso Erenice Guerra, ex-assessora de Dilma guindada à posição de ministra quando a chefe saiu para a campanha.
 
Questionado se, na hipótese de vitória, levaria de volta o PMDB, Serra voltou a alfinetar o governo Lula. Afirmou que seu objetivo é fazer um governo de união nacional para atrair todos os que estiverem dispostos a somar com seus programas. Ele ainda se disse disposto a cuidar de “áreas degradadas”, como os Correios, por causa “da corrupção e do desvio de recursos”.

Ele começou a entrevista coletiva falando da importância do dia 12 de outubro e falou que “pensa na criança desde a concepção até a infância”, e que, se eleito, pretende trabalhar para que (crianças) cresçam com oportunidades e que as famílias “tenham renda, coisa que nenhuma assistência substitui”. Serra afirmou que dará continuidade ao Bolsa Família, mas “sabemos que as famílias querem que seus filhos estudem e tenham ascensão social”, disse ele.

Retrocesso tucano

A questão do aborto não ficou de fora. Perguntado por que as questões religiosas estavam tão amplas nessa campanha, se isso não era um retrocesso, Serra afirmou que a própria sociedade é quem coloca essa questão. “Não é estratégia. Aparece porque o Brasil está colocando. Grande parte é religiosa e ela se manifesta”, disse Serra que, mais tarde, falou especificamente sobre o fato de Dilma acusar o PSDB de lhe atribuir posições que ela não tem.
 
“O plano nacional de direitos humanos trata o aborto como um direito humano. Logo quem criminalizou é contra os direitos humanos”, disse ele, atribuindo ao PT e à Dilma a criação da polêmica ao defender a terceira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos, o PNH 3. O projeto foi citado também num panfleto distribuído na porta da Basílica, intitulado “Votar bem”, que pedia votos para candidatos que fossem contra o aborto.

Alckmin diz que vai cair na estrada

Derrotado para prefeito de São Paulo há dois anos, Geraldo Alckmin tem hoje a certeza de que só voltou ao governo estadual porque foi resgatado pelo antigo rival na política paulista, o candidato a presidente da República, José Serra. Por isso, hoje mostra-se disposto a ajudar mais do que fez em 2002, quando foi reeleito governador no estado e Serra perdeu a Presidência da República.


“Vou a Mato Grosso do Sul, a Mato Grosso e ao Acre”, contou Alckmin ao Correio. Os estados não foram escolhidos ao acaso. Nos três, o novo governador paulista foi bem votado na campanha presidencial de 2006, quando concorreu no segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva. No Acre, Alckmin obteve mais votos do que Lula. 
 
“ Vou onde sei que posso contribuir”, disse ele na Basílica de Aparecida, onde participou da missa ao lado de Serra e do vice Índio da Costa, do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e de deputados. “Nesta primeira semana, visitei todas as regiões de São Paulo. Agora, vou para os outros estados e depois volto para cá. O Aécio também fará algo semelhante”, diz Alckmin, referindo-se ao mineiro Aécio Neves, que entra mais tarde na campanha de segundo turno por causa da morte de seu pai, na semana passada.

Enquanto Alckmin segue para o Norte e o Centro-Oeste, Serra vai para hoje para Porto Alegre, Rio Grande e Pelotas. A ideia é reforçar a campanha onde os tucanos consideram mais fácil ampliar a vantagem que obtiveram sobre o PT e não deixar que o governador eleito, Tarso Genro, ganhe terreno em prol da petista Dilma Rousseff. Lá, até os aliados da ex-ministra da Casa Civil estão preocupados porque, reza a tradição, quem vence no Rio Grande do Sul, perde no Brasil. Pelo menos, foi assim nas três últimas eleições.

Nordeste

Uma região que o PSDB ainda não conseguiu montar uma estratégia clara foi o Nordeste. A única saída, na análise prévia feita pelos tucanos, é reforçar programas que o Serra, como ministro, garantiu à população, em especial, os genéricos.

Apesar do Nordeste, dentro do PSDB, há um ânimo renovado pelo o que eles chamam internamente de hora da virada. Chegam a mencionar, por exemplo, que, em alguns trackings, pesquisas para consumo interno feitas por telefone, Serra estaria à frente de Dilma Rousseff. O candidato, entretanto, não toca nesse assunto. Perguntado, responde apenas que “o povo é dono do voto”, sem tirar os olhos dos 20% que votaram em Marina Silva. 
 
“A Marina deu uma contribuição muito importante que foi permitir o segundo turno entre os mais votados. E além disso trouxe para a eleição pessoas que não queriam saber muito de política”, disse Serra, citando o segundo turno como a “oportunidade para conhecer o candidato não só pelo que propõe, mas pelo jeito que ele é, pelo que fez sua biografia”, afirmou o tucano. (DR)

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